Georisco participa do I Encontro Nacional de Planos Municipais de Redução de Riscos

Na última semana, entre os dias 12 e 14 de dezembro, foi realizado em Brasília o I Encontro Nacional de Planos Municipais de Redução de Riscos (PMRRs), uma iniciativa da Secretaria Nacional de Periferias (SNP), do Ministério das Cidades, para reunir os pesquisadores responsáveis pela elaboração dos planos e representantes dos municípios envolvidos. Vinte municípios e 16 universidades foram selecionados para esta ação, dentre eles Natal e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco, da SNP, estabeleceu cooperação com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o objetivo de fortalecer as políticas públicas de gestão de riscos de desastres. A parceria entre SNP, Fiocruz, universidades públicas e prefeituras objetiva, além de elaborar o PMRR, aperfeiçoar este instrumento de planejamento urbano, revisar a sua metodologia e contribuir com a formação de profissionais na área de mitigação de riscos e prevenção de desastres frente à crise climática. Aqui na UFRN, o professor Lutiane Almeida, coordenador do Grupo de Pesquisa Georisco, irá liderar a iniciativa. A cidade de Natal tem um PMRR de 2008, que precisa ser atualizado, considerando as novas condições de exposição e vulnerabilidade das comunidades em risco de desastres. Conforme a Defesa Civil da capital, a tendência é de maior frequência de ocorrência de desastres, com maior magnitude dos impactos. “Áreas do bairro de Mãe Luiza, comunidade do Jacó e entorno das lagoas de captação da Zona Norte da cidade apresentam as áreas de concentração de ocorrência de desastres na cidade”, exemplifica Almeida. O seminário de Brasília contou com mesas-redondas de especialistas na elaboração de PMRRs e oficinas entre os coordenadores dos grupos de pesquisa e representantes dos municípios contemplados com os planos. Para Almeida, a oportunidade foi fundamental: “Aprendemos sobre a complexidade na elaboração de um PMRR, a necessidade de inserir variáveis associadas às mudanças climáticas, a necessária inclusão de inovações científicas e tecnológicas e, principalmente, diretrizes para fazer com que o PMRR de Natal seja participativo do ponto de vista da gestão municipal e das comunidades vulneráveis”.
Ensino desde a realidade geográfica

Ensinar a partir da inserção e vivência dos contextos geomorfológicos. Esta é uma das práticas do professor Lutiane Almeida, coordenador do Grupo de Pesquisa Georisco, que no início deste mês reuniu 25 estudantes da Licenciatura em Geografia da UFRN para observar de perto estruturas geológicas e formas de relevo, e estudar a paisagem desde seu contexto. Os professores do curso Sebastião Pinheiro da Silva e Francisco Jablinski Castelhano também se fizeram presentes. De 1º a 3 de dezembro, os acadêmicos fizeram um percurso para compreender melhor aspectos que se entrecruzam nos estudos da Geografia. “Aprendemos sobre o clima do semiárido, discutimos sobre as causas e efeitos das chuvas recentes, as formas geológicas presentes nos lugares visitados… foi um aprendizado muito interessante, pois finalmente vimos o que foi passado em sala de aula”, declara Clauber Telles, quem participou da viagem. Já a estudante Aline Alves reforçou a viagem como forma de melhor assimilar os conteúdos aprendidos em sala de aula. “No caso da disciplina de Geomorfologia, por seu caráter técnico, a ida ao campo é fundamental por permitir a visualização mais realista dos diferentes tipos relevo em diversas localidades, percebendo de forma mais significativa os fatores que contribuem para sua modelagem e como cada um deles contribui de forma sistemática para a formação da paisagem”, explica. A primeira parada foi no município de Angicos, ainda no Rio Grande do Norte, na qual a turma pode analisar o Pico do Cabugi, um cone vulcânico que, além de sua beleza, é um exemplo do vulcanismo no Brasil. Na sequência houve a visita à Floresta Nacional de Açu, uma unidade de conservação do bioma Caatinga. “Eu diria que um geógrafo nordestino precisa sentir na pele e observar a paisagem da caatinga com seus próprios sentidos. Aprendemos durante toda a viagem a importância de se preservar a vegetação da Caatinga, assim como sua contribuição ao ecossistema da nossa região”, reforça Telles. A praia e o mangue também foram foco da atividade, onde foi possível identificar dois tipos de falésias, as ativas e inativas. Castelhano aproveitou a oportunidade para tratar dos impactos causados pelos aerogeradores, responsáveis pela energia eólica, convidando a todos a pensar sobre como tal empreendimento afeta a vida das populações locais e o ambiente no qual são instalados. Houve ainda um momento de especial atenção para a identificação dos relevos e das rochas, com a visita ao sítio arqueológico Lajedo de Soledade, que contém a maior exposição de rocha calcária da Bacia Potiguar. Os guias do local falaram sobre as pinturas rupestres, e os costumes e modos de vida dos indígenas que habitavam o local há mais de 3 mil anos. Por fim, o último destino foi a Serra do Martins, na qual foi possível observar uma paisagem de contrastes: de um lado a paisagem mais árida da Caatinga e do outro, uma cobertura vegetal mais verde. Texto: Eloisa Loose Imagem: Mariana Silva
Georisco e Nuped assumem coordenação do Plano Municipal de Redução de Riscos de Natal

Os professores Lutiane Almeida, coordenador do Georisco e do Nuped, Pitágoras Bindé, vice-coordenador do Nuped, e Ricardo Matos de Carvalho, coordenador do Grupo de Extensão e Pesquisa em Ergonomia, estarão à frente da realização do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) da cidade de Natal.O Ministério das Cidades, por meio do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco da Secretaria Nacional de Periferias (DPR/SNP), desenvolveu, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Projeto Multicêntrico de Pesquisa-Ação e Inovação para elaboração de Planos Municipais de Redução de Riscos de Desastres – Projeto PMRR. Este projeto busca o apoio das mais renomadas universidades públicas e especialistas do Brasil para a geração de evidências científicas e referencial teórico para avaliação, revisão e aprimoramento de políticas públicas na área de gestão de riscos de desastres. No contexto nacional, o DPR selecionou 16 grupos de pesquisa de universidades públicas no Brasil, de conhecimento destacado e habilidades técnicas evidentes, para elaboração dos PMRRs em 20 municípios com grandes contingentes populacionais vivendo em comunidades expostas a desastres.
Georisco participa de semana de atividades de campo por estados do Nordeste

Na última semana, de 31 de outubro a 4 de novembro, o professor Lutiane Almeida, coordenador do Grupo de Pesquisa Georisco, liderou uma série de visitas técnicas no âmbito da disciplina “Planejamento Ambiental” do curso de Geografia da UFRN. O professor Francisco Fransualdo de Azevedo, também da UFRN, participou da ação. Integrantes do Georisco participaram da viagem, que passou por cidades do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. A proposta foi explorar conteúdos relacionados à interação entre os componentes naturais e as atividades humanas nos diferentes territórios, como o papel da legislação ambiental, principalmente do Sistema Nacional de Unidades de conservação (SNUC), ao visitar o Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, e a Área de Proteção Ambiental do Delta do rio Parnaíba, que abrange os estados do Piauí e Maranhão. O debate sobre o uso das águas foi enfatizado na visita à barragem Armando Ribeiro Gonçalves, em Itajá e Açu (RN), e a perspectiva histórica e de planejamento territorial foi ilustrada a partir da cidade de Fortaleza. Almeida destaca a relevância de aulas que levem os estudantes para se confrontar com os problemas reais dos territórios. “Nesses momentos são aprimoradas várias técnicas de apreensão de conhecimento, como a observação direta do ambiente, e a aplicação prática de conceitos e teorias geográficas, o que ajuda a solidificar seu entendimento dos tópicos geográficos”, afirma. A iniciativa proporcionou a 24 estudantes a aplicação de teorias de localização, estudos de paisagem, análises espaciais e interpretação de mapas; o desenvolvimento de habilidades técnicas, como o manuseio de instrumentos e técnicas geográficas, como GPS, cartografia, sensoriamento remoto, geoprocessamento e técnicas de amostragem; e o estímulo à observação crítica, permitindo a compreensão das interações complexas que moldam as paisagens geográficas e a aproximação com as comunidades. “A viagem de campo foi de fundamental importância para nossa formação, principalmente pela dinâmica realizada pelos professores presentes, na qual foi possível integrar os conhecimentos humanos e físicos. Os aspectos naturais da paisagem como relevo, clima, vegetação, solos e hidrografia dialogavam com o uso e cobertura do solo, dinâmica territorial, conflitos agrários e desenvolvimentos das cidades por meio de atividades como o turismo”, destaca o estudante Jeferson Gomes. Na cidade de Fortaleza (CE) foi possível observar os fenômenos que ocorrem em áreas de intensa urbanização, como a verticalização, segregação socioespacial, favelização, agravamento de vulnerabilidades socioambientais e formação de áreas de riscos. Nesta visita, integrantes do Georisco realizaram levantamento, por meio de questionários, sobre aspectos sociais e econômicos, na tentativa de compreender as vulnerabilidades existentes em áreas de risco. Texto: Eloisa Loose Crédito da imagem: Grupo de Pesquisa Georisco
Como evitar novos desastres nas regiões das lagoas de captação?

O uso de geotecnologias para gestão de riscos envolvendo lagoas de captação (ou reservatórios de água das chuvas) é o objeto de estudo de Thiago Santoro, acadêmico do curso de Geografia e integrante do Grupo de Pesquisa Georisco. Partindo do desastre ocorrido em Natal, em 2022, que gerou uma grande quantidade de alagamentos e danos decorrentes de transbordamento dessas lagoas, Santoro decidiu pesquisar como o mapeamento dessas áreas pode auxiliar no manejo de riscos nessas regiões. As lagoas de captação são importantes mecanismos para drenar o excesso de água nos centros urbanos e contribuem com a prevenção de inundações. Porém, elas precisam de manutenção, a fim de que a população residente nas suas proximidades não seja afetada em situações de chuvas intensas, quando a sua capacidade pode ser extrapolada. Santoro relata que o Georisco foi fundamental para desenvolvimento de sua pesquisa, pois, com apoio de seus membros, construiu um arcabouço teórico e metodológico que facilitou a compreensão do tema, além de poder reunir a temática de riscos com a área de geoprocessamento e cartografia. Os interesses pessoais do jovem pesquisador foram ao encontro de uma situação bastante negligenciada pelo município de Natal. A pesquisa está em andamento e deve ser concluída em 2024. Santoro destaca que o trabalho poderá contribuir com a prevenção de desastres próximos a esses equipamentos. “Os resultados poderão subsidiar futuros planejamentos urbanos e planos de redução de riscos nos locais mais afetados por esse tipo de desastre”, ressalta. Texto: Eloisa Loose
TCC aborda análise microlocal para gestão de riscos em áreas de dunas

Difundir a importância das análises em escala microlocal e a sua aplicação na gestão de riscos em áreas de dunas é o objetivo do estudante do curso de Bacharel em Geografia da UFRN Jeferson Gomes. Integrante do Grupo de Pesquisa Georisco desde outubro de 2022, sua proposta de investigação conecta os conhecimentos humanos e físicos, colocando a ciência geográfica a serviço da prevenção. “Ao perceber a importância da gestão de risco para a sociedade, ficou claro as diversas contribuições que esta pesquisa trará para o meio acadêmico, social e político. Os resultados poderão incentivar um melhor planejamento territorial em escala microlocal”, pontua o jovem pesquisador. O estudo envolve o mapeamento de áreas suscetíveis a riscos geomorfológicos, como deslizamentos de terra, inundações e enchentes, na área de dunas de Cidade Nova, em Natal (RN). “Ao setorizar parcelas da área estudada, segundo seu grau de risco, teremos uma base de dados que permitirão a formulação de estratégias mais efetivas, que minimizem os impactos produzidos por eventos extremos nessas áreas”, explica Gomes. Em fase inicial de desenvolvimento, a pesquisa deverá ser concluída em julho de 2024, sendo utilizada como trabalho de conclusão de curso (TCC) do estudante. Acompanhe por aqui os trabalhos que estão em curso no Grupo de Pesquisa Georisco! Texto: Eloisa Loose
Cruzando a perspectiva dos riscos com a evolução humana

Quando entrou no Grupo de Pesquisa Georisco, em 2021, a estudante do curso de Geografia da UFRN Jamily Araújo conhecia a área de Redução de Riscos de Desastres (RRD) apenas superficialmente. “Minha introdução ao Georisco trouxe uma compreensão mais profunda do estudo dos riscos. Ao estudar as obras publicadas, conectei a história do desaparecimento dos Neandertais no Pleistoceno. Essa perspectiva se concretizou na combinação dos temas de evolução humana e riscos, originando a ideia central da minha pesquisa”, conta a acadêmica. Os Neandertais despertaram o interesse de pesquisa em Jamily por sua capacidade adaptativa. Devido ao seu parentesco evolutivo com nossa própria espécie, ela supõe que a investigação pode oferecer contribuições substanciais para a esfera científica, já que a extinção do Homo neanderthalensis pode trazer elementos para refletir sobre a capacidade adaptativa frente aos riscos de desastre. A pesquisadora notou a resiliência e as habilidades que desafiavam as percepções de uma intelectualidade supostamente inferior. Diante das flutuações climáticas e desafios ambientais daquele período, os Neandertais demonstraram um viés tecnológico sofisticado, o que permitiu uma série de adaptações em seus modos de viver. Mesmo assim, a variável climática surge como um dos fatores responsáveis pelo aumento da vulnerabilidade e consequente extinção da espécie. A proposta de estudo, em fase inicial de desenvolvimento, busca traçar um paralelo para compreender nossa própria busca por adaptação em um cenário de intensificação de fenômenos climáticos extremos. “A oportunidade de abordar questões cruciais, como resiliência, vulnerabilidade e adaptação, por meio de uma lente evolutiva, é irresistivelmente cativante para mim”, declara. Texto: Eloisa Loose