Alerta sobre os riscos das praias potiguares

Lutiane Queiroz de Almeida, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenador do Grupo de Pesquisa Georisco


Com o calor intenso típico do verão no hemisfério sul, as praias do Rio Grande do Norte tornam-se refúgios para banhistas locais e turistas. No entanto, esses espaços de lazer também carregam perigos, como afogamentos, que podem estar relacionados às correntes de retorno – uma das principais causas de acidentes fatais no litoral potiguar.

Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Grupo de Pesquisa Georisco, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), trouxe dados alarmantes sobre o tema. A pesquisa revela que as praias urbanas de Natal, como Ponta Negra e Areia Preta, concentram o maior número de ocorrências de afogamentos e resgates, especialmente em áreas próximas a espigões e barreiras artificiais que favorecem a formação de correntes de retorno. Esses fenômenos ocorrem quando a água das ondas que se dissipam na praia retorna para o mar de forma concentrada, criando zonas de forte arrasto que surpreendem até nadadores experientes.

Os dados levantados entre 2017 e 2021 mostram 411 casos de resgates relacionados a essas correntes, com 38 óbitos registrados. Em 2025, o Corpo de Bombeiros Militar do RN já resgatou 25 pessoas em situações de afogamento, mas infelizmente duas mortes foram confirmadas até o momento.

Além do desconhecimento sobre as características das correntes de retorno, fatores como o consumo de bebidas alcoólicas e a superlotação das praias no verão agravam os riscos. “O desconhecimento e a falta de percepção de perigo tornam as correntes de retorno ainda mais letais”, alerta o estudo, que enfatiza a necessidade de sinalização eficiente e a presença constante de guarda-vidas.

Os dados são fruto do trabalho de conclusão de curso de José Luiz Pessoa Maia, bombeiro militar do RN, orientado pelo professor Lutiane Almeida.


Foco na educação preventiva
No contexto do verão, a Operação Verão intensifica ações preventivas, como a distribuição de materiais educativos, blitz de conscientização e o reforço no número de guarda-vidas em praias movimentadas. Também iniciativas como o projeto “Surfe Salva” têm treinado surfistas para auxiliar em resgates, aumentando a eficácia do atendimento.

Para os especialistas, a educação da população é essencial. “Entender a dinâmica das praias, reconhecer áreas de risco e respeitar as orientações são medidas simples que podem salvar vidas”, aponta o artigo.


Recomendações aos banhistas
Ao frequentar o litoral, os banhistas devem observar sinalizações, evitar áreas aparentemente calmas (que podem esconder correntes de retorno) e evitar o consumo excessivo de álcool antes de entrar no mar. É importante que haja supervisão e uso de boias em crianças, atentando-se sempre para áreas identificadas como seguras e sob a observação de guarda-vidas.

Com praias mundialmente conhecidas, o Rio Grande do Norte é um destino privilegiado para o verão. No entanto, para garantir que as memórias sejam apenas de alegria, é fundamental aliar diversão à segurança.

Para ler o texto na íntegra, acesse: https://impactum-journals.uc.pt/territorium/article/view/13781.

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